Resumo
A pesquisa psicológica tem proporcionado importantes contribuições para a compreensão do processamento de desinformação e de teorias conspiratórias. Tradicionalmente, essa pesquisa concentrou-se em experimentos laboratoriais randomizados e em estudos observacionais (não experimentais) que buscam estabelecer causalidade por meio do ajuste de terceiras variáveis. No entanto, os experimentos laboratoriais serão sempre limitados por considerações de viabilidade e éticas, e os estudos observacionais podem frequentemente levar a conclusões causais injustificadas ou a objetivos analíticos confusos. Argumentamos que a pesquisa neste campo poderia, portanto, beneficiar-se de um pensamento mais claro sobre a causalidade e de um conjunto ampliado de ferramentas metodológicas que inclua experimentos naturais. Utilizando exemplos reais e hipotéticos, oferecemos uma introdução acessível ao arcabouço contrafactual da causalidade e destacamos o potencial da análise de variáveis instrumentais, do desenho de regressão descontínua, da diferença em diferenças e do controle sintético para a extração de inferências causais. Esperamos que tal abordagem da causalidade contribua para uma maior integração entre as diversas disciplinas próximas dos temas de desinformação e teorias conspiratórias, conduzindo, assim, a teorias mais completas e a melhores intervenções aplicadas.Principais Conclusões
- A pesquisa sobre desinformação frequentemente se apoia em experimentos laboratoriais e estudos observacionais, mas poderia obter conclusões causais mais robustas ao adotar um arcabouço contrafactual formal da causalidade e ao ampliar seu conjunto de ferramentas metodológicas.
- O artigo apresenta quatro abordagens subutilizadas para a extração de inferências causais a partir de "experimentos naturais": análise de variáveis instrumentais, desenho de regressão descontínua, diferença em diferenças e desenhos de controle sintético.
- Ao ultrapassar as restrições éticas e práticas dos experimentos laboratoriais, esses métodos avançados podem ajudar os pesquisadores a testar melhor as afirmações causais com dados do mundo real, conduzindo a teorias mais completas e a intervenções eficazes contra a desinformação.
















