Resumo
O radicalismo político representa um grande desafio societal, mas pouco se sabe sobre como ele se desenvolve. A alienação política, isto é, a desconfiança política, a impotência e a insatisfação com o funcionamento do sistema político e das suas instituições, tem sido teorizada como um fator que aumenta o risco de comportamento político radical, mas o seu papel raramente foi examinado longitudinalmente. Utilizando dados de painel de cinco ondas de adolescentes suecos (N = 892; 51,1% do sexo feminino), este estudo investigou como a desconfiança política, a impotência e a insatisfação se relacionam com comportamentos políticos radicais dos 13 aos 17 anos. Os resultados mostraram que aumentos intraindividuais na desconfiança política, na impotência e na insatisfação estavam associados a aumentos concomitantes em comportamentos políticos radicais. Ao nível interindividual, adolescentes com níveis médios mais elevados de desconfiança política, impotência e insatisfação também exibiram níveis mais elevados de radicalismo ao longo da adolescência. Os efeitos da alienação política sobre o radicalismo foram mais pronunciados entre os rapazes do que entre as raparigas. Para a insatisfação política, observaram-se relações recíprocas com a radicalização num modelo de painel de defasagem cruzada (cross-lagged). Os resultados sugerem que as experiências dos adolescentes de desconfiança política, impotência e insatisfação com o funcionamento do sistema político estão associadas à probabilidade de radicalismo ao longo de períodos desenvolvimentalmente críticos. Os resultados sublinham a importância de instituições políticas que sejam responsivas, justas, confiáveis e inclusivas no combate à radicalização juvenil.Principais Conclusões
- Ao longo de um estudo de cinco anos com jovens suecos (dos 13 aos 17 anos), a alienação política — medida como desconfiança política, impotência e insatisfação — esteve significativamente associada ao comportamento político radical, tanto ao nível intraindividual como interindividual. Quando os adolescentes se sentiam mais alienados do que o habitual, envolviam-se em comportamentos mais radicais no mesmo momento, sendo que a desconfiança política explicou a maior parte da variância (19%), seguida da insatisfação (15%) e da impotência (14%).
- A ligação entre alienação e radicalismo foi consistentemente mais forte para os rapazes do que para as raparigas. O género moderou significativamente os efeitos da desconfiança (B = 0,08, p = ,001), da impotência (B = 0,07, p = ,024) e da insatisfação (B = 0,07, p = ,001).
- As experiências pessoais importaram mais do que o clima do grupo: a alienação ao nível da turma não previu de forma estatisticamente significativa o radicalismo juvenil.
- A insatisfação política revelou uma dinâmica recíproca ao longo do tempo num Modelo de Painel de Defasagem Cruzada com Interceptos Aleatórios (Random Intercept Cross Lagged Panel Model), no qual a insatisfação e o radicalismo se reforçavam mutuamente, enquanto a desconfiança e a impotência foram sobretudo concomitantes, em vez de preditivas de mudança posterior.
