Resumo
O retrocesso democrático afeta tanto as instituições quanto o bem-estar psicológico dos indivíduos que nelas vivem. Em tais contextos, os indivíduos decidem se apoiam ou se opõem a ações governamentais que podem corroer as normas democráticas. Neste estudo longitudinal, examinamos diferenças partidárias no bem-estar subjetivo durante os primeiros meses do segundo mandato do Presidente Trump—um período marcado por amplas mudanças de políticas e por preocupações intensificadas com o declínio democrático. Ao longo de cinco semanas, os Democratas relataram consistentemente menor satisfação com a vida e felicidade do que os Republicanos. Os Republicanos aumentaram seu bem-estar ao longo do tempo, enquanto os Democratas apresentaram mudança tanto linear quanto quadrática, uma vez que as diminuições iniciais no bem-estar foram seguidas por aumentos no bem-estar. Os Republicanos apoiaram mais as ações da administração, enquanto os Democratas expressaram maior apoio às ações tomadas contra a administração. Um maior apoio às ações da administração associou-se a maior bem-estar, enquanto um maior apoio às ações oposicionistas correlacionou-se com menor bem-estar. Essas associações mantiveram-se, de modo geral, mesmo após o controle da filiação política e das características demográficas, sugerindo que a insatisfação com as ações governamentais acarreta consequências psicológicas para além da identidade partidária. Esses achados destacam consequências assimétricas no bem-estar durante um período de declínio democrático, mostrando que o alinhamento com as ações governamentais pode proporcionar conforto psicológico de curto prazo, enquanto a oposição—embora vital para a resiliência democrática—pode acarretar custos psicológicos.Principais Conclusões
- Em todas as cinco ondas semanais (fev–mar de 2025), os Republicanos relataram maior satisfação com a vida e felicidade do que os Democratas. As diferenças entre os grupos foram amplas e consistentes: para a satisfação com a vida, ts ≥ 5,36, ps ≤ ,001, ds ≥ 0,50; para a felicidade, ts ≥ 6,07, ps ≤ ,001, ds ≥ 0,59.
- A mudança ao longo do tempo mostrou melhorias modestas no bem-estar. O crescimento linear indicou aumentos tanto para os Republicanos (b = 0,04, p = ,029) quanto para os Democratas (b = 0,05, p = ,013), sem diferença partidária nas inclinações (ps ≥ ,818). No entanto, os modelos quadráticos ajustaram-se melhor aos Democratas, indicando um declínio inicial seguido de recuperação (satisfação com a vida quadrática b = 0,05, p = ,005; felicidade quadrática b = 0,06, p = ,002).
- O apoio às ações governamentais acompanhou o bem-estar. Apoiar as ações da administração correlacionou-se com maior bem-estar (rs ≥ ,20, p < ,001), enquanto o apoio às ações antiadministração correlacionou-se com menor bem-estar (rs ≤ −,14, ps ≤ ,006). Após o controle do partido e das características demográficas, 8 das 12 ligações entre ação e bem-estar permaneceram significativas; a filiação política e o NSE subjetivo foram preditores robustos.

