Resumo
Quando indivíduos de ascendência imigrante se envolvem com a cultura majoritária, eles se aculturam. A maior parte das pesquisas concentrou-se em processos explícitos de aculturação (isto é, orientações de aculturação em relação às culturas majoritária e de origem) e constatou que seus efeitos sobre o ajustamento são modestos e inconsistentes. O presente estudo esclarece o impacto pouco estudado da aculturação implícita das emoções — isto é, a medida em que as minorias imigrantes adotam as normas emocionais da cultura majoritária, sem necessariamente estarem cientes de que o fazem — sobre o ajustamento das minorias ao longo do tempo. Além disso, considera o papel das percepções de discriminação no contexto de aculturação. Um estudo longitudinal de 2 anos com 1588 membros de minorias em 68 escolas secundárias na Bélgica revelou que a aculturação emocional previu positivamente o contato das minorias com a maioria ao longo do tempo, mas previu negativamente seu engajamento escolar ao longo do tempo (isto é, motivação, engajamento comportamental, conformidade escolar), particularmente entre estudantes de ascendência imigrante que perceberam altos níveis de discriminação na escola. Portanto, a aculturação emocional pode ter desvantagens, além de benefícios. Pesquisas futuras devem investigar mais a fundo o impacto (dependente do contexto) de processos implícitos de aculturação, como a aculturação emocional. É particularmente importante compreender sob quais circunstâncias, e por que, a aculturação implícita transforma um potencial benefício em uma desvantagem.Principais conclusões
- Embora a aculturação emocional tenha ajudado os estudantes de minorias a construir pontes sociais ao prever positivamente o contato com colegas da maioria um ano depois (b = .61, p < .001), ela simultaneamente atuou como uma desvantagem para seu ajustamento acadêmico. Especificamente, um maior ajuste emocional à cultura majoritária previu significativamente uma menor motivação escolar (b = -.17, p = .008) e um menor engajamento comportamental (b = -.15, p = .008) ao longo do tempo.
- O estudo identifica a discriminação percebida como o moderador crítico que transforma o ajuste emocional em uma desvantagem. Para estudantes que percebem altos níveis de discriminação, o ajuste emocional previu fortemente declínios mais acentuados na motivação escolar (β = -.35, p < .001) e no engajamento comportamental (β = -.36, p < .001), ao passo que não foram encontrados tais efeitos negativos para estudantes que percebem baixa discriminação (p > .05).
- Além do desengajamento, um alto ajuste emocional em contextos discriminatórios foi associado a um aumento de comportamentos problemáticos. Entre os estudantes que percebem alta discriminação, o ajuste emocional previu significativamente um aumento do desengajamento comportamental (β = .19, p = .040) e de comportamento não conforme (β = .17, p < .001), sugerindo que sentir-se como a maioria enquanto se é tratado de forma diferente pode alimentar resistência ou retraimento.







